Nasce o sol, e não dura mais que um dia,

depois da Luz se segue a noite escura,

em tristes sonhos morre a formosura,

em continúas tristezas a alegria.

 

Porém, se acaba, o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a Luz, por que não dura?

Como a beleza asim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

 

Mas no Sol, e na luz falte firmeza,

na formosura não se dê constância,

e na alegria sinta-se tristeza.

 

Começa o mundo enfim pela ignorância,

e tem qualquer dos bens por natureza,

a firmeza somente na inscontâcia.

 

MATOS, Gregório. In: À instabilidade das coisas do mundo - fragmentos.

 

 Realmente, reler o Barroco com Gregório de Matos é um convite à reflexão acerca do relativo, do dualismo, das antíteses, do paradoxo... enfim, do fingindo e vivendo do ser humano.

Dedicar-me-ei, no entanto, à relatividade do ser humano, em especial, no campo amoroso. Por que buscamos algo , se não há um retorno? Por que sonhar em ser amado, se não há quem queira amar?

Como quisera encontrar a Luz e o Sol a iluminarem-me a vida amorosa!!

Realmente, o amor acabou por transformar-se em algo inexistente. Raras são as pessoas por quem o amor ainda é valorizado. Se vocês conhecerem alguém assim, por favor, apresentem-me.

Desculpem-me se fico a martelar no mesmo tópico, contudo, só o faço no intuito de, um dia, encontrar a Felicidade e o Amor.

Na sua opinião, devo continuar utopiando ou devo voltar ao chão?

Hum, deixem-me transmiitir uma notícia HORRÍVEL que recebi hoje: Cancelaram a Rio Parade. Ela acontecerá no sábado, dia 29 de maio, à noite, e custará R$30,00 na Fundição Progresso.

Vou ficando por aqui,

Inté a próxima!!!

 

 

IX

Meu coração é um pórtico partido

Dando excessivamente sobre o mar.

Vejo em minha alma as velas vão passar.

E cada vela passa num sentido.

Ia. estrofe do canto IX do poema Passos da Cruz.

PESSOA, Fernando. In: Poemas Escolhidos: Coleção Livros O Globo.p.172 Agosto de 1997. Jornal O Globo/Klick Editora.

  Gente, hoje me sinto como a estrofe que escolhi do Poema do Pessoa.

Meu coração transformou-se em um pórtico aberto! Como quisera poder escolher a nau que, por ele, passaria. Não posso! Tenho tentado encontrar o amor. Será que ele existe? Será que há a possibilidade de, na vida, encontrarmos o verdadeiro amor? Alguém que possa dizer que me ama e permitir-me amar em retorno?

Hoje, vou buscar ouvir a voz do meu coração e perguntar-lhe porquê estou sozinho! Será minha a culpa? Será que expulso as pessoas à minha volta? Por favor, se souberem a resposta, digam-me. Estou sofrendo muito no campo sentimental! Sofro por tentar descobrir o Amor eterno. O mesmo vivido em Moulin Rouge por Satine e seu amado poeta.

Como gostaria de descobrir essa resposta em breve! Às pessoas, quando não me excluem por eu ser gordo, simplesmente o fazem dando desculpas esferrapadas.

Bem, vou ficando por aqui.

Acho que vocês devem estar cansados de me lerem reclamando tanto.

Um dia isso vai mudar.

Ah, amanhã, dia 26 de maio estarei indo à minha primeira consulta desde que comecei a minha dieta. Espero que eu tenha emagrecido.

Inté a próxima,

Leo

Padrões! Para que servem???

 

 

 

  Gente, estou mudando um pouco!

Embora eu não tenha posto nenhum poema do Pessoa, hoje, vou deixar apenas o texto do Chaplin. Ele falará por si mesmo e por mim.

Inté a próxima,

Leo

Poema em Linha Reta

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisso tudo, neste mundo.

 

Toda a gente que conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

     

Quem me dera ouvir de algumém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

 

Ó príncipes, meus irmãos,

 

Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

 

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com meus superiores sem titubear?

Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

PESSOA, Fernando. In: Poesia de Todos os Tempos. Fernando Pessoa. Poemas. Seleção e Organização de Cleonice Berardinelli. pp.146-147. Editora Nova Fronteira. 1985. Rio de Janeiro. 

Poema de Álvaro de Campos

 

 

         Gente, preciso falar alguma coisa em relação a esse poema? Não! Espero e torço para que concordem comigo!

              Quantas pessoas normais existem na Terra? Quase não conheço ninguém! Estou tentando deixar de ser "semideus". Quero virar um ser normal! Criei este blog para isso: conseguir despir-me da roupagem de semideus e banhar-me na cachoeira da mortalidade. Na cachoeira da humanidade. Da humanidade que sofre, que ri, mas que, acima de tudo, vive! E por viver, é capaz de ver prazeres privados àqueles que não vivem!

              Gente, gostaram da foto do Fernando Pessoa? E da minha?

               Estou gordinho (gordão), né? Mas, não se preocupem! Estou em reeducação alimentar. Na quarta que vem agora estarei indo à doutora para a minha primeira consulta pós início de tratamento.

               Vou ficando por aqui. Espero que estejam gostando do blog!

                Não sei quando apareço de novo!

Inté a próxima!

ISTO

ISTO

 

Dizem que finjo ou minto

Tudo que escrevo. Não.

Eu simplesmente sinto

Com a imaginação.

Não uso o coração.

 

Tudo o que sonho ou passo,

O que me falha ou finda,

É como um terraço

Sobre outra coisa ainda

Essa coisa é que é linda.

 

Por isso escreve em meio

Do que não está ao pé,

Livre do meu enleio,

Sério do que não é.

Sentir? Sinta quem o lê!

 

PESSOA, Fernando. In: Poesia de Todos os Tempos. Fernando Pessoa. Poemas. Seleção e Organização de Cleonice Berardinelli. p.48. Editora Nova Fronteira. 1985. Rio de Janeiro.

   Relendo Pessoa, começo a perceber o quanto suas obras falam aos meus sentimentos. Na verdade, parece-me que elas dão voz aos meus gritos adormecidos. É impressionante!

       Ao reler o poema Isto , admito que me deixei ser acorrentado à primeira estrofe. Ela fez-me (e ainda me faz! refletir.

       Sinto-me, às vezes, como se estivesse a fingir (ou mentir!. Ao contrário do poeta, finjo (e minto! para não dar voz a esse "bendito" comboio de cordas - o coração.

        Uso a imaginação para silenciar uma multidão de sentimentos a profanarem a imaculada voz da razão. Sim! Inúmeros sentimentos vêm a mim tentando desvencilhar-me do doce e calmo trajeto por sobre as águas de Possêidom.

     Como anseio, um dia, por ser capaz de pegar aquela mesma linha de seda (lembram-se?) e ir costurando o meu destino, a fim de, em breve, parar de fingir que não amo! Que não sofro! Que não rio!

         Enquanto esse dia não nasce, fico por aqui fingindo e vivendo! Fico tentando encontrar-me! Tentando encontrar o equilíbrio (e isso existe?).

         Como disse Pessoa no dia de sua morte: "I know not what tomorrow will bring" (Neither do I!) = "Eu não sei o que o amanhã trará" (Nem eu!), por isso, vou ficando por aqui.

         Fico à espera de que as asas do porvir tragam-me algo bom!

 

 E, por hoje, é só, pessoal!

Inté a próxima!!!

Autopsicografia

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só as que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama o coração.

PESSOA, Fernando. In: Poemas Escolhidos: Coleção Livros O Globo. Agosto de 1997. Jornal O Globo/Klick Editora.

 

Fingir, fingidor, finge! Dor!

Entreter! Razão! Comboio de cordas: Coração!

               Todas as palavras acima foram extraídas do poema de Pessoa. Formam elas o léxico básico e necessário à interpretação do poema. É o poeta o único ser capaz de tecer o caminho a ser trilhado por cada uma delas e, paralela e paradoxalmente, por todas.

                O próprio poeta assume para si o significante de uma das palavras supra citadas. "Ele é um fingidor..."

                 E por que mente o poeta? Mente o poeta por quê? Em princípio, podemos crer que isso se deve somente à sua necessidade de entreter o (os) leitor (leitores): "... E os que lêem o que escreve..."

                  Se for somente isso, acabamos por classificar o poeta como uma pessoa qualquer. Extremamente, poder-lhe-íamos comparar a um palhaço circense - sem desmerecer tal profissional. Contudo sua verdadeira função está implícita na terceira e (última) estrofe de seu poema, ou seja, ao poeta cabe - fazendo o que faz ( "E assim nas calhas da roda...") - tornar-se aquele que há de controlar o comboio de corda - o coração -  o único capaz de entreter a razão.

                   E é justamente no "entreter a razão"em que hemos de encontrar o paradoxo do poema. De acordo com o senso comum, a razão não dá espaço à diversão. Como, então, pode o poeta entretê-la? Ensandeceu-se o poeta? Não. Simplesmente, ele é o único capaz de fazê-lo ao tocar o coração. Órgão guardado a sete chaves. O qual, poeticamente, remete aos sentimentos. E são os sentimentos os capazes de girarem o mundo e, dessa forma, entreter a razão.

 Depois dessa simples conversa com um dos mais belos poemas por mim lidos, deixem-me, por favor, apresentar-me.

 Sou um rapaz latino-americano com residência na Cidade Maravilhosa - o Rio de Janeiro.

 Meus pais trouxeram-me à luz da existência no dia 13 de junho de 1978. Existo há quase vinte e seis anos.

 Devo admitir que, como o poeta, tento criar uma linha - como quisera que fosse de seda - capaz de tecer um emaranhado entre as palavras do poema.

                  Vivo! Sofro! Sinto dor!

                  E, acima de tudo, Finjo! Principalmente, quando me apaixono. Me apaixono e puxam meu tapete! Finjo! Finjo! Finjo não me preocupar! Finjo não sofrer! Finjo que não gostaria de amar! Enfim, vou vivendo e fingindo. Sentimentos que, às vezes, andam intrínsecos à mim. Embora, muitas vezes, haja momentos no meu existir nos quais a vivência real dá espaço ao fingir.Graças a Deus, esses momentos ocorrem sempre quando estou próximo a meus amigos. Com eles dispo a minha alma e deixo transparecer a imagem vista somente pelo banheiro. Sim! Pelo banheiro!!!! É nele que deixamos cair nossas personae (=máscaras). Aquelas, as nossas seguidoras nos nossos quotidianos.

                              E é por necessitar de mais um "Banheiro" (virtual) que nasce esse blog. Espero que gostem!

                               Ah! esqueci-me de uma coisa: chamo-me Leonardo e ainda não sou Poeta. Porém posso me orgulhar de ter nascido no mesmo dia que nasceu Fernando Pessoa.

 

INTÉ A PRÓXIMA!!!

 

 

 

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, ROCHA MIRANDA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Arte e cultura
MSN - leolegal@msn.com